Wesley Sneijder reacendeu uma polêmica antiga. Em vídeo divulgado pelo jornal espanhol AS nesta segunda-feira, o ex-meia holandês voltou a desdenhar da Bola de Ouro e relembrou a temporada 2009/2010, quando foi peça central da Inter de Milão campeã da Liga dos Campeões, mas terminou apenas em quarto lugar na votação do prêmio individual mais cobiçado do futebol.
"Sobre a Bola de Ouro, posso repetir isso uma última vez: não dou a mínima para a Bola de Ouro. Em 2010, ganhei a Liga dos Campeões com a Inter", afirmou o ex-jogador, deixando claro que, para ele, os troféus coletivos falam mais alto do que qualquer reconhecimento pessoal.
Uma temporada histórica sob Mourinho
Naquele ciclo, Sneijder foi fundamental na Inter de José Mourinho, equipe que completou a tríplice coroa ao vencer o Campeonato Italiano, a Copa da Itália e a Liga dos Campeões. O título europeu veio com uma vitória por 2 a 0 sobre o Bayern de Munique, na final disputada em Madri, resultado que coroou uma campanha em que o meio-campista holandês foi protagonista em praticamente todas as fases da competição.
O desempenho não ficou restrito aos gramados italianos. Na Copa do Mundo de 2010, na África do Sul, Sneijder marcou cinco gols e foi decisivo para levar a Holanda à final, perdida para a Espanha por 1 a 0, na prorrogação. Poucas vezes um jogador reuniu, na mesma temporada, um título de Champions League e uma presença de destaque em uma decisão mundial.
Quarto lugar que ainda gera debate
Apesar da relevância da campanha, Sneijder terminou em quarto na Bola de Ouro de 2010, atrás de Lionel Messi, vencedor daquela edição, e dos espanhóis Andrés Iniesta e Xavi Hernández, ambos campeões mundiais com a seleção espanhola naquele mesmo ano. A classificação final expôs um dilema recorrente do prêmio: até que ponto o impacto coletivo de um jogador deve pesar mais do que a repercussão midiática ou o contexto de disputas entre seleções rivais.
O caso de Sneijder segue como um dos exemplos mais citados quando o tema é a subjetividade dos critérios da Bola de Ouro. Mesmo sendo peça-chave em dois títulos de grande magnitude - a Champions League pela Inter e o vice-mundial pela Holanda -, ele não entrou no pódio das discussões mais calorosas sobre a premiação daquele ciclo, dominado pela rivalidade entre Messi e os campeões espanhóis.
Uma crítica que atravessa gerações
A fala do holandês dialoga com um debate mais amplo no futebol contemporâneo, que frequentemente questiona se prêmios individuais conseguem capturar de forma justa o valor de atuações decisivas em competições coletivas. Jogadores de diferentes gerações já manifestaram ceticismo semelhante, defendendo que títulos conquistados em equipe têm peso maior do que reconhecimentos pessoais, por mais prestigiados que sejam.
Para os torcedores que acompanharam aquela Inter de Milão, a declaração de Sneijder reforça uma memória já consolidada: a de que o time de Mourinho produziu uma das campanhas mais completas da história recente da Champions League, independentemente de como a Bola de Ouro tenha distribuído seus votos naquele ano.